Relato das ações da REASul em 2004

Uma rede é um processo dinâmico de interações e envolvimento inter-pessoais entre os atores e atrizes que a compõem, e que interagem intensamente em redes de relações, por motivações diversas, mas com um objetivo comum, a “idéia-força” (INOJOSA, 1999) que os move e empondera, relacionada com um valor maior que é a defesa da Vida e a inserção da dimensão ambiental nas práticas educativas e sociais.

Segundo Cássio Martinho (2001), “o que faz da arquitetura de rede uma rede é seu modo de funcionamento (...) um modo de operar que contemple, pressuponha e atualize a autonomia dos membros da rede; que faça da horizontalidade, da descentralização, do empoderamento e da democracia uma ética de operação”.

O objetivo geral da rede é debater e traçar rumos para difundir e fortalecer a EA no Brasil e na região Sul, contribuindo para diagnosticar, socializar e dar visibilidade a projetos e ações na área, fornecendo subsídios para formação de educadores e gestores ambientais e para as políticas públicas

A REASul, concluiu em 2004 o Projeto Tecendo Redes de Educação Ambiental na Região Sul, financiado pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente, que incluía em seus objetivos a consolidação da rede e a realização do diagnóstico da EA na região Sul.

A rede vem sendo formada por pessoas e instituições que atuam nos três estados do sul difundindo a cultura de redes e as diretrizes e princípios da Educação Ambiental (EA). Hoje a rede conta em sua estrutura com as 5 instituições da CGP (UNIVALI, FURG, IBAMA, CEPSUL e MATER NATURA) e 11 elos regionais, (4 universidades, 1 unidade do IBAMA, 3 ONGs, 1 OSCIP e a parceira de 2 redes de EA – REABRI e REA Paraná.

Para isso, realizou em agosto uma Oficina do Futuro visando a realização do planejamento participativo da mesma com seus elos regionais, discutindo metas, objetivos, estratégias e a formação de seus Grupos de Trabalho (GTs) .

Através de seu site (www.reasul.univali.br) os elos da rede alimentaram o site divulgando notícias e eventos. O site também disponibiliza acesso ao Banco de Dados do Sistema Brasileiro de Informação sobre Educação Ambiental – SIBEA (atualmente em manutenção), para dar continuidade a alimentação de novos dados ao diagnóstico já realizado. Também oferece um serviço de acesso a Biblioteca Virtual de Meio ambiente, que está sendo reformulada com o apoio de bolsistas e do Grupo de Pesquisa Educação, Estudos Ambientais e Sociedade, da UNIVALI e também dos demais elos da REASul.

Abaixo uma síntese das atividades em cada Estado.

Paraná

 - Apresentação pelo MATER NATURA do diagnóstico da EA no Paraná na ANPED Sul, em Curitiba.

 - Palestra sobre cultura de redes no módulo do Curso Básico de EA do Programa Cultivando Água Boa, promovido pela Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu;

 - Participação em mesas redondas e no oferecimento de Oficinas no VII Encontro Paranaense de Educação Ambiental (VII EPEA) em São José dos Pinhais, promovido pela FAMEC e Rede Paranaense de Educação Ambiental –REA Paraná;

 - Participação na inauguração da nova sede do IBAMA-PR; e,

 - Divulgação do acidente com o navio chileno que provocou o desastre ambiental na Baía de Paranaguá, mobilizando pessoas e instituições para atuarem como voluntários através do Boletim Informativo da rede.

Santa Catarina

 - Participação de Antonio Guerra e José Erno Taglieber nas reuniões da Comissão Interinstitucional de EA de Santa Catarina (CIEA/SC). Além da REASul, fazem parte desta comissão a UNIVALI, FURB, UNOESC-Joaçaba e IBAMA. Na última reunião realizada em 08 de dezembro foi aprovado por unanimidade o anteprojeto de lei da Política Estadual de Educação Ambiental a ser encaminhada ao executivo;

 - Palestra e Oficina na Semana do Meio Ambiente em Blumenau, em parceira com a Fundação Municipal do Meio Ambiente, FURB, e Rede de EA da Bacia do Rio Itajaí (REABRI);

 - Apoio aos eventos realizados pela Fundação Praia Vermelha de Conservação da Natureza (Penha – SC);

 - Parceria com a SAMAE de Blumenau e REABRI no projeto Sala Verde no Museu da Água Gunther Buhr;

 - Participação em mesa redonda no VII Encontro Nacional de Educação Ambiental em áreas de manguezal – São Francisco do Sul;

 - Presença no Seminário Sul Brasileiro de Implantação e fortalecimento de Conselhos gestores de Unidades de Conservação, promovido pelos Núcleos de Educação Ambiental (NEAs)do IBAMA de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná;

 - A REASul também participou com a UNIVALI de atividades de formação continuada do Projeto de Formação de Educadores Ambientais na micro região da AMFRI-SC (CNPq), envolvendo 127 professores de 43 escolas de Itajaí, Balneário Camboriú, Itapema, Bombinhas e Ilhota; e,

 - Também fez parceria com a Fundação Municipal de Meio Ambiente de Itajaí – FAMAI, na divulgação das atividades do Projeto do Programa Participativo de Construção da Agenda 21 local de Itajaí, financiado pelo Fundo Nacional de Meio Ambiente (FNMA).

Rio Grande do Sul

 - Realização do Simpósio Gaúcho de Educação Ambiental e II Colóquio de Pesquisa em Educação Ambiental da Região Sul (II CPEASul) pela URI de Erechim;

V Fórum Brasileiro de EA

Caravanas de todos os cantos do Brasil partiram rumo a Goiânia para participar do V Fórum Brasileiro de Educação Ambiental. A REASul também organizou a sua caravana. Trinta e quatro pessoas da região Sul partiram de Itajaí num ônibus subsidiado pela rede.

Divulgação do diagnóstico da EA em 5 estados e 1 bioma na mesa redonda sobre redes do V Fórum.

A Rebea apresentou no último dia do V Fórum Brasileiro de Educação Ambiental, o trabalho "Uma leitura dos diagnósticos da EA em 5 estados e 1 bioma do Brasil" (relatório final) de autoria da professora Isabel Carvalho, da ULBRA (Universidade Luterana do Brasil/RS), análise feita a partir dos levantamentos realizados pelas redes em sete estados.

“O Diagnóstico é uma primeira tentativa sistemática e coordenada de levantamento simultâneo do estado de arte da EA em sete estados brasileiros. Os dados levantados são muito significativos”, confirma a professora Isabel Carvalho, que avaliou os dados preliminares desse trabalho.

Os diagnósticos são um dos resultados dos projetos financiados pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente – FNMA/MMA (edital 007/2001) com o objetivo de alimentar o Sistema Brasileiro de Informações sobre Educação Ambiental – SIBEA e estruturar as redes de EA. Em 2002, as quatro redes de EA com projetos aprovados iniciaram o levantamento dos dados: REPEA (paulista), RAEA (acreana), Aguapé (regiões pantaneiras do MT e MS) e REASul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Elas encaminharam milhares de questionários a pessoas de centenas de instituições públicas ou privadas.

Um dos resultados mais surpreendentes é a demonstração de que órgãos públicos têm atuação mais forte em EA, que organizações não governamentais (ONGs) ou setor empresarial. A exceção fica para o Rio Grande do Sul, onde as ongs realizam 53% das atividades, descritas por um universo de 158 respondentes. “Detectamos um número expressivo de ongs atuantes em EA no Estado. Em geral, são ONGs recentes, que nasceram vinculadas a uma questão ambiental muito forte que afeta a comunidade”, diz José Vicente de Freitas, da REASul, dando como exemplo o derramamento de ácido sulfúrico na água, como no ‘Caso Bahamas’.

Falando aos representantes das 4 Redes, em reunião sobe o tema no Instituto Ecoar para Cidadania (SP), a consultora Isabel Carvalho destacou alguns pontos que levantarão polêmica no V Fórum. “Verificamos mais projetos em EA, de que programas. O que é isso?”. Para ela, uma das respostas pode ser a precarização do Estado, já que programas são de prazo mais longo, e a maior parte das atividades de EA, apontadas na pesquisa, vem de órgãos públicos.

O diagnóstico também revela que a identidade do educador ambiental ainda é indefinida. E que suas principais formas de atuação são mobilização, sensibilização, seguidas por atividades de capacitação. A apresentação dos resultados, aposta a analista, pode instigar a criação uma agenda para o debate sobre EA e Sociedade.

GT Formação de Educadores e educadoras ambientais da REBEA

Antonio Fernando Guerra, da REASul, coordenou este GT que contou numa primeira etapa com a participação de um grupo de pessoas de 4 redes (Aguapé, RECEA, REARJ, RUPEA) que organizaram as discussões do GT através de uma lista de discussão. Durante o V Fórum 56 participantes de 41 instituições (universidades, órgãos públicos, ONGs e escolas), discutiram durante dois dias questões polêmicas relacionadas com a formação, como a insistência em alguns locais da inclusão da disciplina de EA nos Cursos de Graduação, vedadas pela própria Lei 9795, mas autorizada em situações específicas, como nos cursos de pós-graduação e extensão. As principais resoluções foram o encaminhamento de propostas para a educação Superior, o fortalecimento da política de EA nas Secretarias municipais e estaduais de educação e a formação de sub-grupos de discussão do GT. Juntamente com a RUPEA, o GT encaminhou ao Ministério da Educação uma carta sugerindo que a EA seja trabalhada de forma transversal nas 400 horas destinadas à prática docente.